O verão 2009 deverá ser uma surpresa para empresários, empreendedores e até para os próprios turistas. Pousadas e hotéis estarão totalmente ocupados? Estrangeiros deixarão de marcar presença nos belos destinos turísticos brasileiros?
Por enquanto, a alta temporada do próximo ano é uma incógnita. O dólar valorizado modifica expectativas do setor do turismo, de acordo com o tipo de público que o destino costuma atrair. Em Porto Seguro (BA), por exemplo, a expectativa de bom movimento no verão permanece inalterada, para a maioria dos empresários. O movimento de turistas deverá repetir os números do verão passado. Mas depois do Carnaval ninguém sabe o que poderá acontecer.
Já em Búzios, a charmosa península de 26 praias, situada a 180 km da capital fluminense, a previsão parece não ser tão boa. No destino freqüentado por turistas de alto poder aquisitivo, a percepção não anda muito otimista entre empresários dos setor. Poucos arriscam dizer como será o verão. Não há estatísticas oficiais no País sobre consultas e reservas concretizadas nos principais destinos brasileiros.
A região de Porto Seguro se transformou num dos principais e mais visitados destinos turísticos do País nas três últimas décadas. Suas praias tropicais exuberantes, onde aportaram os primeiros navios com os descobridores portugueses no século XVI, apaixonam brasileiros e estrangeiros.
Estimativas apontam que deve haver cerca de dois mil empreendimentos da cadeia do turismo em atividade na Costa do Descobrimento, nome dado à região de Porto Seguro. Há pousadas e hotéis para todas as classes sociais nesse especial destino turístico.
Nos últimos anos, desde a inauguração do aeroporto de Porto Seguro, milhares de turistas chegam à cidade por meio de vôos charter. O verão é a principal temporada de negócios para a região.
Movimento normal
“Nosso público é de classe média e as reservas estão normais. Até o momento não houve mudança significativa”, informa Dorival Gomes da Silva, gerente comercial da Pousada do Alemão, empreendimento de 15 anos localizado no centro de Porto Seguro. O dono da pousada é um alemão, mas seu público é 95% brasileiro. Nos próximos meses será desenvolvido trabalho de marketing voltado para o exterior, segundo Dorival.
No verão passado, todas as pousadas e os hotéis lotaram em Porto Seguro, de acordo com o gerente. “Acho que vamos assistir a volta do fluxo interno em função do dólar alto e do barateamento dos pacotes ao Brasil”, diz ele. Depois do Carnaval é que o setor do turismo deverá sentir os reais efeitos da crise financeira mundial, acrescenta.
“Temos de tentar pensar com a cabeça do hóspede. Ele vai adiar o desejo de viagem nas férias e preferir preservar dinheiro e emprego?”, questiona Dorival. “Quanto tempo essa crise de confiança nos mercados, nos bancos e estrutural vai durar?”.
Para ele, não há dúvida de que o turismo interno será beneficiado de maneira direta e imediata, a curto e médio prazo. No longo prazo, porém, é impossível prever. “Se a crise de confiança se confirmar em crise de fato, aí será mais complicado”, observa Dorival.
Elite insegura
Para a alta temporada, que vai de dezembro a fevereiro, a tendência de redução da presença de turistas de maior poder aquisitivo nos destinos nacionais também parece estar se configurando em Búzios, no Rio. Atualmente existem cerca de 750 pousadas e hotéis nesse destino, considerado a 'Riviera' brasileira. No ano novo, Búzios recebe em torno de 500 mil turistas.
“Em outros anos, a esta altura, eu já teria metade das reservas concretizadas para o Réveillon, janeiro e fevereiro”, lamenta o dono de uma pousada de 24 suítes de alto padrão, que não quis se identificar. “A situação é semelhante em várias pousadas”, informa o empresário. O volume de consultas nos sites e por telefone são cerca de 60 por dia, mas as reservas não são fechadas, segundo ele. “É a questão da liquidez, que deixa todo mundo inseguro”, justifica.
Para esse empresário, a crise no Brasil é mais emocional do que real. "Nos Estados Unidos é onde de fato está ocorrendo a turbulência". Ele cita que 850 mil famílias norte-americanas são as grandes vítimas da situação financeira mundial. Ao mesmo tempo, de acordo com ele, a crise não é marola e remete a muitos cuidados. “Acho que autoridades e brasileiros em geral não estão entendendo o que pode ocorrer aqui, daqui a alguns meses”, enfatiza.
Há décadas, estrangeiros são presença dominante nas pousadas e hotéis de Búzios, nas altas temporadas. Nas baixas temporadas, esse empresário revela que mineiros, paulistas, goianos, brasilienses e cariocas são os públicos majoritários nos meios de hospedagem locais. A maioria dos hóspedes é formada por profissionais liberais.
Devido à redução do número de reservas para o verão, vários empresários do turismo vão investir em ações de marketing pela primeira vez. Até então, a qualidade das instalações e serviços, somada à divulgação feita pela seleta clientela, bastavam para assegurar a ocupação das pequenas e médias pousadas. Desde a implantação dos sites, 95% das reservas nas pousadas e hotéis são realizadas via internet.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias – texto de Vanessa Brito
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